Histórico

Historicamente as artroplastias tiveram a seguinte evolução:
Gluck, na Alemanha, em 1890, foi o primeiro a entalhar o marfim para substituir a cabeça do fêmur e utilizar um raro tipo de cola.
Delber (1919) e Hey-Groves (1926) utilizaram o marfim para confeccionar implantes.
Wiles, Londres 1938, introduziu a ideia de prótese total com componente acetabular e femoral, confeccionados em aço inox e implantados em seis pacientes com moléstia de Still.
Em 1940, McKee utilizou parafusos para fixar o componente acetabular.
Em 1951, Haboush utilizou, pela primeira vez, o cimento acrílico dentário para fixação dos componentes.
McKee e Farrar, em Norwich, introduziram o cromo-cobalto, material mais inerte. As primeiras tentativas do uso sistematizado de próteses foram realizadas por Judet (1946), que propôs próteses cefálicas de haste reta e curta com cabeça em acrílico.
Thompson (1950) e Moore (1952) descreveram próteses cefálicas com haste intramedulares.
A haste de Moore apresentava fenestrações, onde o osso esponjoso deveria penetrar e consequentemente fixar a prótese, sendo um dos primeiros desenhos com o objetivo de viabilizar o princípio biológico da osteointegração.
Assim iniciou a discussão, que se mantém até hoje, sobre a cimentação ou não cimentação (osteointegração) como meio de fixação das próteses.
Chanrley, Londres, em 1958, introduziu o componente acetabular em teflon e o uso sistemático da fixação com cimento. Em 1962 introduziu o componente acetabular em polietileno. Os novos resultados de Sir Chanrley esclareceram sobremaneira aspectos fundamentais das artroplastias.
O uso sistemático de Próteses Totais do Quadril ocorreu na segunda metade do século XX. Desde então, pelo melhor conhecimento da técnica de cimentação e dos fatores implicados no processo de osteointegração, ocorreram várias modificações no desenho e na matéria-prima utilizada nas próteses. A partir da década de 70, não se pode precisar a cronologia dos novos modelos de próteses que surgiram baseados no grande sucesso da fixação pelo cimento e do conceito da baixa fricção. Esse conceito, embora tenha apresentado grande evolução, apresentou falhas, desgaste do polietileno, fraturas de hastes e infecções frequentes, dificuldades que de alguma maneira foram sendo controladas.
Tentando dar solução para problemas então atribuídos ao cimento surgiram, ainda nessa década, as próteses européias de fixação biológica, com diferentes desenhos, características e matérias-prima. Logo se tornaram conhecidas através dos modelos desenvolvidos por Judet, Lord, Mittelmeyer, Parhoffer, Roy Camille e outros, além das já conhecidas hastes americanas de Thompson e Moore. Mais tarde surgiram, também, as hastes de Zweissmuller e Spotorno que consolidaram a forma quadrangular e cuneiforme como desenho, e as ligas de titânio como matéria-prima, conceitos básicos que permanecem acreditados até nossos dias.
No início da década de 80, cirurgiões americanos como Sarmiento e Galante também passaram a utilizar ligas de titânio como matéria-prima, enquanto Engh, Hungerford e outros seguiram utilizando liga de cromo-cobalto para implantes não-cimentados.
Próteses de revestimento, “resurfacing”, foram defendidas por poucos autores em diferentes momentos, com diversos apelos e com resultados discutíveis de curto seguimento.
O conhecimento, embora vago dessa evolução, é importante para dar uma ideia do tempo, das tentativas, das dificuldades e fatores envolvidos no desenvolvimento das próteses.
É importante ter claro que avanços tecnológicos concebidos para melhorar a saúde, também, podem acabar envolvidos pelo mercado e suas perversas e implacáveis leis.

 
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